sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Era uma vez um pássaro...


Era uma vez um pássaro. Um animal lindo, adornado com um par de asas perfeitas e com plumas reluzentes, coloridas e maravilhosas. Enfim, um animal feito para voar livre e solto no céu e para alegrar quem o observasse voar. Um dia um homem viu esse animal voando, e a primeira coisa que aconteceu foi que se apaixonou por ele. Ficou olhando o seu vôo com a boca  aberta  pelo espanto, coração batendo mais rápido, os olhos brilhando de emoção. Naquele momento ele e o pássaro formavam um só,  o pássaro voava no céu e no coração dele, e isto era uma grande Paixão. Ele admirava, venerava, celebrava o pássaro com sua emoção. Não eram necessárias palavras para descrever aquilo que sentia, pois aquilo que ele sentia era superior a quaisquer palavras. Mas aí o pássaro voou para longe e ele sentiu medo. Medo de nunca mais sentir aquilo. E sentiu inveja, inveja da capacidade de voar  do pássaro. E se sentiu sozinho. E pensou: “Vou montar uma armadilha. A próxima vez que o pássaro surgir, vou prendê-lo e colocá-lo numa gaiola, e assim ele nunca mais partirá.” O pássaro, que tinha gostado de voar para o homem, voltou no dia seguinte, caiu na armadilha, e foi preso na gaiola. Todos os dias o homem, antes de ir à caça, ou ir nadar, ou ir passear, passava pela gaiola. No início olhava ainda para o pássaro, contente com sua aquisição, e chamava os amigos para admirá-lo. Mas, com o tempo, sem saber por que, foi perdendo o interesse pelo animal. O pássaro, sem poder voar, que era a sua graça e o sentido de sua vida, foi definhando, foi perdendo o brilho das plumas, até que um dia morreu.  Apenas algum tempo depois o homem notou que ele morrera, e, subitamente triste,  se lembrou dele.Mas não se lembrou dele na gaiola. Se lembrou dele voando alto no céu, na primeira vez em que o havia visto. Triste,  o tomou entre suas mãos, o enterrou, e chorou amargamente.
[...]Se ele observasse a si mesmo com muita atenção, se estudasse a Ciência, descobriria  que aquilo que o emocionava tanto era justamente o  voo, a liberdade, a energia do pássaro em movimento, sua graciosidade, e não o corpo físico do pássaro.
Antonella Zara, in A Ciência da Paixão

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