Era uma vez um pássaro. Um animal lindo, adornado com um par
de asas perfeitas e com plumas reluzentes, coloridas e maravilhosas. Enfim, um
animal feito para voar livre e solto no céu e para alegrar quem o observasse
voar. Um dia um homem viu esse animal voando, e a primeira coisa que aconteceu
foi que se apaixonou por ele. Ficou olhando o seu vôo com a boca aberta
pelo espanto, coração batendo mais rápido, os olhos brilhando de emoção.
Naquele momento ele e o pássaro formavam um só,
o pássaro voava no céu e no coração dele, e isto era uma grande Paixão.
Ele admirava, venerava, celebrava o pássaro com sua emoção. Não eram
necessárias palavras para descrever aquilo que sentia, pois aquilo que ele
sentia era superior a quaisquer palavras. Mas aí o pássaro voou para longe e
ele sentiu medo. Medo de nunca mais sentir aquilo. E sentiu inveja, inveja da
capacidade de voar do pássaro. E se
sentiu sozinho. E pensou: “Vou montar uma armadilha. A próxima vez que o
pássaro surgir, vou prendê-lo e colocá-lo numa gaiola, e assim ele nunca mais
partirá.” O pássaro, que tinha gostado de voar para o homem, voltou no dia
seguinte, caiu na armadilha, e foi preso na gaiola. Todos os dias o homem,
antes de ir à caça, ou ir nadar, ou ir passear, passava pela gaiola. No início
olhava ainda para o pássaro, contente com sua aquisição, e chamava os amigos
para admirá-lo. Mas, com o tempo, sem saber por que, foi perdendo o interesse
pelo animal. O pássaro, sem poder voar, que era a sua graça e o sentido de sua vida,
foi definhando, foi perdendo o brilho das plumas, até que um dia morreu. Apenas algum tempo depois o homem notou que
ele morrera, e, subitamente triste, se
lembrou dele.Mas não se lembrou dele na gaiola. Se lembrou dele voando alto no
céu, na primeira vez em que o havia visto. Triste, o tomou entre suas mãos, o enterrou, e chorou
amargamente.
[...]Se ele observasse a si mesmo com muita atenção, se
estudasse a Ciência, descobriria que
aquilo que o emocionava tanto era justamente o voo, a liberdade, a energia do pássaro em
movimento, sua graciosidade, e não o corpo físico do pássaro.
Antonella Zara, in A Ciência da Paixão

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