Já são tantas. Milhares...Milhões.
Uma verdadeira rama,
florescendo por todo o planeta.
São Maria-sem-vergonha de ser mulher.
Não são florezinhas.
São mulheres se agrupando, misturando cores,
gritando encantos, exibindo suas verdades.
São domésticas, bailarinas, médicas,
estudantes, bancárias, professoras,
escritoras, garis, brancas, negras,
índias, meninas, agricultoras...
São sem-vergonha de lutar, acreditar,
denunciar, exigir, reivindicar, sonhar...
São Maria-sem-vergonha de dizer
que ainda falta trabalho, salário digno,
respeito...
que ainda são vítimas da violência física,
da porrada, do assédio, do estupro,
do aborto, da prostituição,
da falta de assistência...
São Maria-sem-vergonha de se indignar
diante do preconceito, da escravidão,
da injustiça,
da discriminação a seus cabelos pixaim
e à sua pele negra...
São Maria-sem-vergonha de brigar por creches,
educação, saúde, moradia,
terra, comida, meio ambiente...
São Maria-sem-vergonha de ficar bonita,
pintar a boca e da sua boca soltar um beijo
que não vem da boca, mas do seu ser inteiro,
indivisível, solidário.
São Maria-sem-vergonha de dizer NÃO,
de buscar alegria, prazer...
Sem vergonha de se cuidar, de usar camisinha
e de se apaixonar. Atrevidas.
Maria sem vergonha de decidir, fazer política,
escolher e ser escolhida...
São essas sem vergonha
que a cada tempo mudam a história.
Conquistam direitos.
Dão a vida.
Geram outras vidas.
Insistentemente,
desavergonhadamente vão tecendo
de cor e beleza,
o desbotado das relações humanas.
Sem medo, sem disfarce,
sem vergonha de ser feliz
vão parindo com dores e delícias
um novo mundo pra mulheres e homens.
Cândida Najar

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